Thiago Amud

THIAGO AMUD PROPÕE CAMINHOS SEM RÓTULOS (Beto Feitosa, blog ZIRIGUIDUM.COM, abril de 2010)

Fonte: Ziriguidum.com > Matéria

“Thiago Amud propõe caminhos sem rótulos
Em primeiro CD cantor e compositor prega liberdade de sua arte

por Beto Feitosa

Cantor, compositor e músico, Thiago Amud lança seu primeiro CD, Sacradança pelo selo Delira Música. Compositor de melodias complexas e poesia rica, Thiago assina sozinho todas as dez composições do disco, que segue caminhos que nunca procuram o simples.

Não existem paralelos e nem influências nítidas, melhor colocar tudo em um caldeirão. A música de Thiago Amud tem algo de desconforto, despertando atenção para um cuidadoso mosaico de sonoridades. Essa é a tônica da complexa teia sonora de Sal insípido, ou logo de cara anunciada em Pedra de iniciação, que inverte o lugar comum: “No meio da pedra tinha um caminho”. Destaque para as linhas dos instrumentos de sopro, que podem ornar um frevo ou um baião. Ou até conversar com a voz do cantor.

Os ritmos são múltiplos, os acordes não são banais e nem para iniciantes. Sua música sobrepõe informações e camadas sonoras. “Meu Deus o que fazer / Com uma canção que me cutuca com vara curta”, pergunta no meio-frevo-sinfônico Aquela ingrata. Fechando o disco, em quase nove minutos Madrêmana vai da oração ao rock. O samba aparece transviado em Inteira, despedaçada.

Thiago segue um bloco carnavalesco em Enquanto existe carnaval, seguindo caminhos inesperados mas sem perder o olho na festa popular: “De tudo que há de novo sob o sol / Percebes tudo e te transformas num farol”. Nessa música conta com a participação do rico grupo/orquestra Frevo Diabo, que também apresenta a música em seu trabalho de estreia, lançado em 2009.

Um dos grandes incentivadores de Thiago, o compositor e violonista Guinga participa cantando em Irreconhecível. Guinga foi um dos primeiros a gravar uma composição de Thiago, fazendo parte de um seleto time de intérpretes que também inclui Milton Nascimento, Mariana Baltar, Simone Guimarães, Garganta Profunda, Pedro Moraes entre outros.

Herdeiro renascentista, tropicalista, brasileiro. Essas não são para tocar no rádio. É certamente um disco ousado, principalmente por se tratar de uma carta de apresentação. Thiago toma o nobre o corajoso caminho de não se enquadrar em nenhuma prateleira e nem aceitar rótulos. Sua música é livre, e a criatividade toma conta da linha do trabalho. Assim são os artistas, que não se acomodam e nem procuram adequar sua criação. Sacradança tem um saudável ambiente livre de vícios e repetições. O caminho é diferente e, por isso, nobre e valioso.”