Thiago Amud

SOM BARATO NA REDE (Julia Albuquerque, O FLUMINENSE, 3 de abril de 2011)

Fonte: O Fluminense > Matéria

“Por: Júlia Albuquerque 03/04/2011
Artistas se projetam com músicas gratuitas ou a baixo custo

Na virada do século, o boom da internet trouxe um sistema de download de músicas mais rápido e barato do que tudo já visto antes. Infelizmente esse modelo também trouxe a inflação no preço dos CDs, a queda das vendas e o debate sobre a legalidade e a ética desse novo sistema. Dez anos depois, o quadro mudou e hoje produtoras e gravadoras estão mais flexíveis, investindo no modelo da web para divulgar novos artistas que estão entrando no mercado da música.

Esse foi o caso da tradicional gravadora Biscoito Fino, que resolveu abrir os horizontes e lançar um projeto com novos cantores e compositores, unicamente digital. Cada um dos artistas terá, de início, duas faixas gravadas em estúdio, que serão disponibilizadas aos poucos na internet. Além das músicas inéditas, o ponto alto do projeto é justamente a ausência de mídias físicas, como CDs e DVDs, que encarecem o processo e prolongam a produção.

A expectativa é que ele seja lançado em maio, com estreia do grupo Sonâmbulos. Segundo o produtor Sérgio Krakowski, de 31 anos, ainda não se sabe se as músicas serão pagas ou não, mas a Biscoito Fino já busca apoio de patrocinadores para poder distribuí-las gratuitamente.

“O paradigma da indústria fonográfica está mudando. Como a página da internet é ilimitada e o formato é bem flexível, no futuro nós poderemos aumentar ainda mais o número de músicas lançadas no projeto”, explica o produtor.

Além de produtor, Sérgio também é um dos integrantes do grupo Sonâmbulos. Junto dele estão os músicos Thiago Amud, Edu Kneip e a cantora Mariana Baltar. Para Thiago, de 31 anos, a expectativa do lançamento das quatro faixas que gravaram é muito boa, já que a união entre os componentes do grupo é bem forte.

“Em um ano tocando juntos no bar Semente, na Lapa, vimos uma ampliação sensível no círculo do nosso público. Com o lançamento, esperamos que a ampliação desse público seja ainda maior”, comenta Thiago.

Distribuição com aval dos músicos

Ao contrário de quem baixa músicas livremente, há quem prefira pagar por elas. Muitos sites hoje estão disponibilizando conteúdo através de assinaturas mensais, com planos que podem custar entre R$ 9,99 a R$ 49,99. As assinaturas cobrem tanto downloads quanto streamings, quando as músicas são liberadas apenas para áudio, sem o download definitivo do arquivo.

Pagar uma assinatura mensal foi a melhor alternativa encontrada pela coordenadora disciplinar Maria Clara Borges, de 49 anos. Ela, que se sentia mal por baixar músicas ilegalmente, passou a assinar um plano de R$ 14,99 e agora se sente livre da “ilegalidade”.

“Achei o modelo interessante e o preço da assinatura é bem viável. Como eu lido com educação, às vezes eu gosto de fazer montagem com as músicas e não é legal fazer isso de uma forma ilegal na frente dos alunos. Você passa as coisas de uma maneira errada para eles. Mas dessa maneira tem sido excelente”, diz Maria Clara.

Novo Canal

Para quem também pensa assim, em fevereiro a Som Livre lançou o canal Escute, que disponibiliza vários planos de assinatura. Segundo o gerente de marketing do canal, Miguel Cariello, 32 anos, o Escute tem parceria com as principais gravadoras que atuam no Brasil, como Sony, Universal e Warner, e já contabiliza quase 3 milhões de músicas. Mas um viés do site é que os downloads são apenas temporários. Com o cancelamento da conta, o consumidor não poderá mais ter acesso às faixas que baixou.

“Cobramos assinatura porque o mercado de música é igual a qualquer outro mercado. Então é preciso remunerar autores e artistas. Do contrário, não teria como fazer esse mercado girar. O Escute pretende pagar o que é justo e ainda dar ao consumidor qualidade e facilidade para consumir”, explica Miguel.

No caso do Sonora, canal criado pelo portal Terra, em 2006, o download feito pelos assinantes é definitivo e o consumidor pode manter suas músicas mesmo com o cancelamento da conta. O Sonora também criou um convênio com as principais gravadoras do país e mantém parceria com cerca de 70 gravadoras independentes. Segundo o diretor do canal, Tiago Ramazzini, 36, o Sonora tem o adicional de disponibilizar um sistema de degustação com 20 horas de músicas gratuitas por mês, mesmo para quem não é assinante.

“Nós estamos expandindo cada vez mais e já estamos presentes em países como Argentina, Colômbia e México. E apesar do público jovem prevalecer, temos uma variedade muito grande de músicas, que vai desde música clássica até música gospel, categoria muito bem colocada no ranking do Sonora”, afirma o diretor.”