Thiago Amud

ENTREVISTA COM O COMPOSITOR E CANTOR THIAGO AMUD (Daniela Aragão, blog O CANTO DA DANIELA, 23-09-2010

Fonte: Blog O canto da Daniela > Entrevista

VILLA-LOBOS ENCONTRA GLAUBER NA URCA (LUIZ FELIPE REIS, Jornal do Brasil, 22 de março de 2009)

Fonte: JB

MÚSICOS UNIDOS EM BUSCA DE UM LUGAR AO SOL (JOÃO PIMENTEL, O Globo, 18 de junho de 2008)

Fonte: O Globo

 

MÚSICOS UNIDOS EM BUSCA DE UM LUGAR AO SOL

JOÃO PIMENTEL

(Quarta-feira, 18 de junho de 2008)

Artistas criam espaços alternativos para mostrar suas produções, trocar experiências e formar novas parcerias

 

Um rapaz sobe ao palco do Centro de Referência da Música Carioca, na Tijuca, para mostrar uma composição inédita. Tímido, diz que nunca teve problemas para se apresentar em público, mas que ali havia descoberto que isso dependia do público… Na platéia estavam Guinga, o saxofonista Mario Sève, a harpista Cristina Braga, a pianista Délia Fischer, Camila Costa, cantora e violonista do Sururu na Roda, e Rodrigo Lessa, bandolinista do Nó em Pingo D’água, que apresentou com o cantor Nuno Neto o seu trabalho autoral. Encontros similares a este das terças-feiras, a partir das 15h, já acontecem em lugares distintos como o clube Renascença, o bar Semente e a Pedra do Sal, na Gamboa, e são frutos da necessidade dos artistas de expor suas obras, trocar experiências e firmar parcerias.

O tom de informalidade do encontro citado foi dado por Guinga, que, após a apresentação do rapaz, pediu seu violão emprestado para mostrar “Estrada branca”, de Tom Jobim, e uma composição própria, a inédita “Porto da Madama”, que arrancou suspiros dos jovens músicos presentes.

-É claro que quero mostrar as minhas músicas. Como posso negar o meu ofício de compositor? Ouvir esses músicos é uma missão – disse.

O encontro é uma ideia acalentada pelo diretor artístico do Centro, Mario Sève, desde sua inauguração, há um ano:

- Este é o ponto que queremos tocar: o da visibilidade do novo. A Lapa é importante, mas está associada ao entretenimento, ao “reouvir”! – diz Sève. – Estamos descobrindo obras prontas.

Cristina Braga, curadora do espaço, lembra que a abertura de mercado não é a prioridade do evento:

- O nosso negócio é música. A gente tem que gerar primeiro a música pela música, não pelo escoamento de uma produção. Quem veio primeiro, o samba ou a gravação de “Pelo telefone”? As reuniões na casa da Nara ou a bossa nova?

As noites organizadas pelos violonistas e compositores Edu Kneip e Thiago Amud no Semente, há cinco meses, começaram como um projeto pessoal de Kneip, que queria aproveitar as terças para mostrar suas músicas. Pouco depois, ele já tinha a companhia de Amud.

- Temos poucas intérpretes de projeção gravando o novo. Há exceções como a Maria Rita e a Roberta Sá, que já gravaram os ótimos Edu Krieger e Rodrigo Maranhão. Mas tem muita gente fazendo música, como Pedro Moraes, Pedro Holanda, Vidal Assis, Marcelo Noronha, Zé Paulo Becker.

Amud conta que as noites de música não têm tom de lamento, mas de troca mesmo:

- Quando compositores culpam o mercado, revelam um desejo de que outros poderes gerenciem a música. Iniciativas espontâneas mostram que o que sempre fez a música foi a criatividade e a vontade do criador. Estar fora do mercado é uma situação, não uma definição qualitativa.

Já as rodas que acontecem às segundas-feiras, na Pedra do Sal, há um ano e meio, não têm a diversidade das outras, é roda de sambista mesmo. Começou com a turma do grupo Batuque na Cozinha cantando sambas que não eram mais ouvidos na Lapa. Como pouca gente conhecia mesmo, resolveram mostrar as inéditas. E, além de surgir compositores de primeira linha, como Wantuir, Di Caprio e Baiaco, a roda atraiu um público fiel. E, como em todo espaço democrático, sempre aparece o bom humor do compositor popular:

-Outro dia, um veio cantar um samba engraçado, sobre a falta de formigas no lugar onde ele mora. É que lá morre muita gente e não tem formiga para encher tantas bocas. – conta o percussionista e cantor André Pressão, lembrando que o Batuque já gravou sambas da turma. – A coisa deu tão certo que eles agora têm um encontro às quartas-feiras e estão gravando um disco coletivo.

O violonista e compositor Cláudio Jorge, criador de um evento mensal no último domingo do mês, no Clube Renascença, chamado “Samba novo”, que contou em suas últimas edições com a participação de Luiz Carlos da Vila, Wilson das Neves, dos poetas Salgado Maranhão e Sergio Natureza, e do violinista Léo Ortiz, diz que a intenção é abrir espaço para uma antiga tradição:

- Era comum o compositor nas rodas chegar e falar: “Olha o samba que eu fiz”. Depois, quando a roda de samba virou negócio, a obrigatoriedade de cantar sucessos para alegrar os clientes modificou o sentido original da coisa. Isso funcionava muito no Cacique de Ramos, na Tia Doca. Os sambas novos e as harmonias tinham privilégio. O prazer de se cantar um samba pela primeira vez é igual ao de uma declaração de amor. Você capricha pra sair tudo perfeito – diz Cláudio Jorge, lembrando que a roda não acontece este mês, já que ele estará em Portugal com Martinho da Vila.

 

COOPERATIVA DE SONS (Helena Aragão, JORNAL DO BRASIL, 3 de agosto de 2004)

Fonte: JB

“COOPERATIVA DE SONS
HELENA ARAGÃO
(Terça-feira, 3 de agosto de 2004)

Confraria da Música Livre lança disco

Dez cabeças voltadas para melodias e harmonias se unem para mostrar como a coletividade pode fazer as individualidades sobressaírem. Forma-se, assim, a Confraria da Música Livre, uma espécie de cooperativa de compositores de partes diferentes do país que se dedicam a gêneros variados e um sonho comum: dissolver os rótulos e barreiras entre gêneros da música nacional. Em busca desse desejo, os integrantes gravaram um disco tão abrangente quanto a proposta do projeto, que será lançado a partir de hoje, em shows todas as terças-feiras de agosto, no Centro Cultural da Justiça Federal, no Centro do Rio, sempre às 12h30 e às 18h.

Tem de tudo neste balaio musical, que mistura o pernambucano Armando Lôbo, o paulista Edu Kneip, a cearense Paloma Espínola, os cariocas Fernando Vilela, Thomas Saboga, Daniela Mesquita, Pedro Moraes, Thiago Amud e Marcelo Caldi e o capixaba Francisco Vervloet. Os quatro últimos são os titulares dos shows de hoje. Da canção popular à peça instrumental, da música cênica à obra erudita, do samba à fuga.

-Chegamos a temer que o nome da Confraria soasse pretensioso, o que não é absolutamente a nossa intenção. Na verdade, o nome funciona como uma provocação, já que a música livre talvez seja inatingível. O importante é busca-la – explica Thiago, que terá em seu show de hoje (12h30) a participação do violonista Guinga.

Em comum, o som dos dez tem a densidade poética, a busca por originalidade sem perder o critério e as influências por outros tipos de arte. Paloma, por exemplo, também é pintora, e as imagens sobressaem nas letras que cria. Thiago se inspira livremente em seus ídolos literários e cinematográficos, como Guimarães Rosa e Fellini.

-É uma reunião de pessoas que produzem música pan-brasileira. Cada um tem seu estilo, mas fugimos justamente das classificações. Quem sabe assim ajudamos a frear essa prateleirização, essa tendência a rotular artistas em escaninhos – explica o pernambucano Armando, o idealizador do projeto, cuja produção já é um mosaico de vertentes.

Com idades entre 24 e 35 anos, os confrades têm também objetivos práticos. Com dificuldade de encontrar palcos disponíveis para escoar suas composições, eles crêem que os caminhos possam ser simplificados com a cooperativa.

-Montamos uma poupança coletiva, cada um ajuda com o que pode. Com os shows conjuntos, o público de um conhece o trabalho do outro. Há também uma idéia de cooperação artística, de troca de influências entre nós. O próximo disco deve ter composições conjuntas – planeja Armando, que encerra o projeto no dia 31.”

PARA ACHAR OS NOVOS (Antônio Carlos Miguel, O GLOBO, 3 de agosto de 2004)

Fonte: O Globo

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