Thiago Amud

Biografia

Eu, Thiago Amud, nasci e fui criado na cidade do Rio de Janeiro. Sou compositor – e esse ofício se desdobra nos ofícios de cantor, arranjador e violonista.

Ainda adolescente, venci quatro edições consecutivas do tradicional Festival de Música do Colégio Hélio Alonso. Em 1995 e 1997, ganhei “melhor letra”; em 1996 e 1998, ganhei “melhor composição geral”. Esse festival, organizado pelo saudoso Júlio Machado (o “Xangô do Salgueiro”), acontecia na Escola Nacional de Música e trazia no júri nomes como os de Paulinho da Viola, Elza Soares, Paulo César Pinheiro e João Nogueira.

Ao longo do ano de 1999, eu me apresentei em importantes casas noturnas do circuito carioca à frente da banda Regonguz. Além de ser um dos cantores, assinar alguns arranjos e tocar o violão, metade do repertório da banda era composta por canções de minha autoria; a outra metade, por canções do cineasta Rodrigo Ponichi.

Ainda em 99, minha canção Lua mulher foi agraciada com o 2º lugar no Prêmio Rio Jovem Artista. No ano seguinte, meu baião Regonguz ganhou o 3º lugar no mesmo prêmio. Esse evento, promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, tinha como jurados Henrique Cazes, José Maria Braga e Guinga. Foi nessa ocasião que travei contato com este que já considerava um dos grandes compositores que jamais ouvira.

Em 2000, quando comecei o curso de Bacharelado em Música Popular Brasileira (com habilitação em Arranjo Musical) na UNI-Rio, eu já me dedicava à composição. Aliás, este sempre foi o fato que me orientou na faculdade; e talvez tenha sido justamente a coexistência de outros projetos ligados a essa vocação central que me fez terminar a graduação apenas em 2005.

Na UNI Rio tive aulas com, entre outros, Adriana Miana (percepção), Antonio Guerreiro (harmonia), Avelino Romero (história da música), Carlos Alberto Figueiredo (análise musical), Elizabeth Travassos (folclore musical), Josimar Carneiro e Roberto Gnattalli (arranjo).

Também em 2000, montei o show Primeiros Recitais de Vozes, Ventos e Violões, ao lado do violonista e compositor Thomas Saboga. Esse trabalho se estendeu por muitos anos, vindo inclusive a ganhar depois as adesões do pianista Gabriel Geszti e do violoncelista Luciano Corrêa.

Em 2001, participei de um show intitulado A Lira e a Lâmina. Nele, uma cantora e sete compositores estivemos em cartaz durante dois meses no Espírito das Artes (Cobal do Humaitá, Rio de Janeiro). A cantora era Aline Germani, e os compositores, além de mim e de Saboga, eram Cristiano Marques, Fernando Vilela, Francisco Vervloet, Paloma Espínola, Pedro Moraes e Rodrigo Pena Firme.

O passo seguinte foi a articulação, em fins de 2003, da Confraria da Música Livre, cooperativa de compositores que chegou a lançar CD em meados de 2004 (com produção do ator e autor teatral Daniel Lobo). Nesse projeto, Armando Lôbo, Daniela Mesquita, Edu Kneip e Marcelo Caldi vieram se juntar a mim e aos já citados Vilela, Vervloet, Espínola, Moraes e Saboga. O lançamento do CD consistiu em uma série de shows individuais no Centro Cultural da Justiça Federal (Cinelândia, Rio de Janeiro). Minhas apresentações na ocasião contaram com as participações de Guinga e de Gabriel Grossi. O crítico musical Antônio Carlos Miguel publicou no jornal O GLOBO a respeito da Confraria: “Aqueles que reclamam de falta de repertório novo devem reservar suas agendas”.

De 2004 a 2008, trabalhei com o já citado compositor Armando Lôbo. O convívio com ele foi importante para meu amadurecimento musical. Montamos o grupo multimídia Bandarra, com o escritor Antônio Máximo Ferraz. Esse trabalho veio a público apenas três vezes, mas seu espírito geral se infiltrou em algumas criações minhas posteriores.

Outro compositor com quem comecei uma parceria frutífera foi Edu Kneip. Com ele, montei o show Sonâmbulos, em 2006. Esse trabalho tem sido promissor: ao longo do ano de 2008, Edu e eu fomos os cicerones  das noites de terça-feira na Comuna do Semente (casa tradicional da Lapa), com sucesso de público. Ao longo dessa jornada, o núcleo do grupo ampliou, com a adesão do pandeirista Sergio Krakowski (do grupo Tira Poeira) e da cantora Mariana Baltar. Já com as participações da sanfona de Gabriel Geszti, do clarinete de Rui Alvim e das flautas de Julio Merlino, os Sonâmbulos gravamos nos estúdios da Biscoito Fino algumas faixas para publicação num site produzido por Sergio Krakowski.

Voltando a 2006: a compositora e cantora Simone Guimarães gravou em seu CD Flor de Pão (Biscoito Fino) duas composições minhas. Em uma delas (Ave Maria, que compus sobre o texto tradicional em latim), Simone foi acompanhada pelo violão orquestral de Marcus Tardelli. Na outra (Baião de Câmara, em parceria com Thomas Saboga), dividiu o microfone com ninguém menos que Milton Nascimento.

Também assinei os arranjos e a direção musical do show de lançamento de Flor de Pão no Teatro Rival BR (RJ).

Ainda em 2006, comecei a compor com Guinga: Contenda foi logo incluída em seu CD Casa de Villa (Biscoito Fino). Nossa parceria segue frutificando em novas canções. Além disso, já participei de diversos shows de Guinga no próprio Rio, em Penedo (RJ) e em Brasília. Pra mim é uma constante alegria ser seu amigo e parceiro.

No mesmo ano, tive uma obra minha em parceria com Zé Paulo Becker (o baião Barriguda) incluída por ele no 6º Prêmio Visa Edição Compositores, e defendida por Alfredo Del Penho e Roberta Sá. A cantora Izabel Padovani viria a gravar essa canção em seu CD Mosaico.

Terminando a “retrospectiva 2006”: tive um arranjo para orquestra incluído no CD O Amante do Girassol, de Daniel Lobo.

Em 2007, participei do show coletivo Eixos, apresentando-me em algumas casas de show de São Paulo e no SESC Sorocaba. No grupo estavam, além de mim, Armando Lôbo, Luciano Garcez, Guto Brinholi, Rodrigo Zaidan, Ilana Volcov, Diana Poppoff, Cecília Bernardes, Sílvia Handroo, Tonho Penhasco, Nô Stopa, Ana Luísa & Luís Felipe Gama.

Em 2008, o grupo Garganta Profunda lançou pela Rob Digital o CD Quando a Esquina Bifurca, cuja faixa título e outra composição (A hora dos fogos, em parceria com Mauricio Detoni) são minhas.  Em junho do mesmo ano, fui um dos jurados do XII Festival de Musica e Ecologia da Ilha Grande, promovido pela Prefeitura de Angra dos Reis, através da Fundação de Cultura de Angra dos Reis.

Em 2009, assinei parte dos arranjos do CD Claro Escuro (independente) de Pedro Moraes, para o qual escrevi também a letra da marcha Carnaval em agosto. Nesse mesmo ano, a participação de Pedro no Som Brasil Cartola (Rede Globo) contou com minha presença como violonista, arranjador e diretor musical. Além disso, a Orquestra Frevo Diabo incluiu um frevo meu (Enquanto existe carnaval) no repertório do CD que lançou pela Delira Música, vencedor do Prêmio TIM de Música Brasileira (2010). No mesmo CD, cantei o Frevo de Itamaracá, de Edu Lobo.

Já em 2010, Mariana Baltar incluiu três composições minhas em seu CD (Mariana Baltar), lançado pela gravadora Biscoito Fino. São elas: Canções de menina (em parceria com Pedro Moraes), Sonâmbulo (em parceria com Edu Kneip) e Quando a esquina bifurca.

Lancei meu primeiro CD solo, Sacradança (Delira Música), em abril de 2010. No CD, todas as letras, músicas e arranjos das 10 faixas são de minha autoria. Penso que nele consegui alcançar uma dicção musical própria.

Dentre as falas sobre o trabalho, merecem destaque as dos críticos Tárik de Souza (“Thiago Amud já debuta com personalidade autoral formada”), Luís Felipe Reis (“Entre o hermetismo e a claridade visionária, Amud compõe um complexo mosaico de estímulos”), Cristiano Castilho, da Gazeta do Povo, Paraná (“Sacradança é um dos melhores discos nacionais de 2010″) e do cantor e escritor Aquiles, do MPB-4 (“Surpreendente é a sua música. Admirável é o seu desprendimento”).

Os shows de lançamento deste CD foram feitos em dois formatos: quinteto (ao lado de Alexandre Caldi e Rui Alvim nos sopros, Matias Correa no contrabaixo e Sergio Krakowski nos pandeiros) e duo (ao lado de Krakowski). Vale mencionar que em 2010, por sugestão de Sergio Natureza, realizei o formato em duo desse trabalho no projeto Ocupação da Sala Funarte. Já em 2011, o show do quinteto fez parte da série Quintas no BNDES e do projeto Terças Parabólicas, realizado no Centro Cultural Carioca.

Em fins de 2010, sob a direção de Rodrigo Ponichi e Cezar Altai, atuei no clipe do meu frevo Aquela ingrata, contracenando com a atriz Anamaria Sobral.  O clipe foi exibido no programa “LAB BR” da MTV. Em 2011 repeti a experiência, atuando em A marcha dos desacontecimentos, gravado durante a passagem do bloco Cordão do Boitatá, no carnaval carioca.

O CD Herói, lançado por Edu Kneip em 2011 inicia com uma parceria nossa, o “galope’n roll” Tratamento de choque. Dividindo com Edu os vocais dessa parceria, participei de seu vídeo-clipe, produzido por Jeanne Duarte e Mário de Aratanha, com direção de Felipe Viana. Para este CD de Edu (e para seu show de lançamento), escrevi diversos arranjos.

A cantora italiana Cristina Renzetti gravou três composições minhas no seu CD Origem é giro, lançado em outubro de 2011 pela Delira Música. Incluiu também uma parceria nossa (Canzone per Lei) no disco Clan Atlantico, gravado na Itália por ela, pelo pianista Stefano di Bonis e outros músicos brasileiros.

Também escrevi diversos arranjos para trabalhos ainda não lançados, como os das cantoras Cintia Graton (ao lado de quem me apresentei algumas vezes em Curitiba), Luciana Coló, Luísa Nogueira, Tato Azevedo e dos compositores Fernando Vilela (de cujo primeiro CD, Quadro, fiz a direção musical).

Vinícius Castro me encomendou um arranjo para seu grupo Cria. Escrevi, para a canção O Avô, que foi interpretada por Pedro Miranda no disco, lançado em 2013. Para a cantora e compositora Carol Naine escrevi o arranjo de Virundum, que consta em seu CD de estreia, também lançado em 2013.

Algumas canções minhas têm constado no repertório de outros intérpretes, como Alice Passos, Aline Paes (que dedica ao meu trabalho todo um show, De lendas e barcos, em duo com o violonista Andre Siqueira), Andre Grabois (de cujo show faço a direção musical com Ivo Senra), Andreia Mota, Gabi Buarque, Ilessi (de cujo segundo disco farei a direção musical), Ilka Vilardo e Marília Schanuel.

Em fins de 2011, formou o Coletivo Chama, grupo de artistas interessados em estabelecer diálogos interdisciplinares a partir de uma abordagem diferente da canção popular brasileira. Hoje o Coletivo é formado por Cezar Altai, Ivo Senra, Pedro Moraes, Renato Frazão, Sergio Krakowski e Thiago Thiago de Mello.

Um dos frutos do Coletivo é o programa “Rádio Chama”, veiculado semanalmente pela Rádio Roquette Pinto desde o começo de 2012. No programa há a mescla de muito bom humor, algum surrealismo, crítica, informações culturais e repertórios variados (da música étnica à vanguarda erudita, do rock à bossa nova, da ópera romântica à produção dos cancionistas contemporâneos).

Ao lado de Armando Lôbo, Edu Kneip, Pedro Moraes e Sergio Krakowski, figurei na matéria de capa do Segundo Caderno de 22/02/2012 “Geração Fora do Tempo”, escrita por Leonardo Lichote.  Graças a isso, meu nome associou-se, para um número maior de pessoas, à busca de uma nova síntese musical popular brasileira, para além tanto do tradicionalismo quanto do fetichismo “modernoso”.

No entanto, antes disso - mais precisamente na edição de outubro de 2011 da Revista Cult - Tárik de Souza já havia citado o meu nome (ao lado dos nomes de Armando Lôbo, Edu Kneip e Mauro Aguiar) como um dos representantes “de uma nova fornada de ambiciosos criadores desapegados da política de resultados do mercado”.

Participei em 2012 do ciclo de shows-debates “Transversais do Tempo”, no SESC Copacabana, projeto este idealizado por Pedro Moraes e produzido pelo Coletivo Chama; e também da série “Panorama da Canção Carioca”, realizada no Teatro Nelson Rodrigues, da Caixa, sob a curadoria de Lili Araujo. Cantei ao lado de meus parceiros Edu Kneip, Mauro Aguiar e Pedro Moraes.

No mesmo ano, participei do Som Brasil Festivais na Rede Globo. Interpretei Domingo no Parque (Gilberto Gil), Eu quero é botar meu bloco na rua (Sergio Sampaio) e Filho Maravilha (Jorge Ben), esta última em dueto com Maria Alcina. Os arranjos foram escritos por mim. Eis o link para uma das canções: http://globotv.globo.com/rede-globo/som-brasil/v/domingo-no-parque-thiago-amud/2116893/.

Ainda em 2012, tornei-me parceiro de Francis Hime. Duas de nossas canções já foram gravadas: Doentia, no disco Francis e Guinga (letra que fiz para música dos dois grandes compositores) e Sem palavras (gravada por ninguém menos que Alcione, em seu disco Eterna Alegria).

Fui o convidado especial da banda mineira Graveola e o Lixo Polifônico nos festivais Conexão BH (em junho de 2013) e Conexão Rio (em agosto de 2013).

Em novembro de 2013, lancei meu segundo disco solo De ponta a ponta tudo é praia-palma, também pela Delira Música, dessa vez com produção do guitarrista JR Tostoi. Composto por 12 novas composições, pode-se definir esse disco como uma visão vertiginosa e onírica sobre a formação do Brasil, a crise de identidade nacional e o tão propalado “fim da canção”.

O projeto gráfico foi criado por Cezar Altai a partir da obra …com Hiroshige para os mares e águas, da artista plástica Anna Bella Geiger, que gentilmente a cedeu para este fim.

O lançamento desse disco se deu no projeto Levada OI Futuro, de Jorge LZ, com uma banda formada por Alexandre Caldi (flauta e sax), Daniel Marques (guitarra), Ivo Senra (sintetizador), Lúcio Vieira (bateria), Pedro Paes (clarone e sax) e Sergio Krakowski (pandeiros).

O disco chamou a atenção de parte significativa da crítica, chegando render no jornal O Globo a matéria de capa do Segundo Caderno  (“Resposta a Pero Vaz”, 2/12/2013) e a cotação máxima (na mesma data, num texto que culmina com a recomendação entusiástica “Tem que ouvir, já.”). Finalmente, no mesmo jornal, o álbum entrou na lista dos 10 melhores de 2013 (no dia 29/12/2013).

Em janeiro de 2014, os artistas do Coletivo Chama nos apresentamos na série Brazilian Explorative Music, no SOB’s, o que rendeu a matéria “Taking Brazil’s Rhythms and Stretching Them Out – ‘Brazilian Explorative Music’, a Concert of Experimentation” (16/01/2014), escrita por Jon Pareles. Nela, fui classificado como “um radical clandestino”.

Além de alguns nomes que já citei, são meu parceiros Edison Nequete (in memorian), Adriano Espínola, Poíko, Marcelo Fedrá, Giovanni Iasi, Jorge AndradeMilena Tibúrcio, Thiago Aquino, Larissa Goretkin, Julio Guedes, Felipe Azevedo, Antonio Loureiro, Ian Faquini, Stefania Tallini e Anderson Benac. É claro que esta lista está sujeita a  sofrer constantes ampliações.

Em breve, darei novos informes.